segunda-feira, 4 de abril de 2011

Jica mostrara estudo para viabilizar obtencao de credito de carbono

30/03/2001 - Agencia Para




A apresentação do Estudo sobre Emissão de Gases no Sistema de Transporte para análise de viabilidade de enquadramento do Projeto de Transporte Integrado da Região Metropolitana de Belém (RMB), visando a obtenção de Crédito de Carbono, trará à capital do Pará, na próxima segunda-feira (21), a missão da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

Formada pelos técnicos Kenichi Sekine e Yuki Sakai, e pelo representante da Jica em Brasília, Mauro Inoue, a missão será recebida pelo secretário de Estado de Projetos Estratégicos, Sidney Rosa, e por técnicos do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano de Belém (NGTM).

A metodologia do estudo para calcular o volume de redução da emissão de Gás de Efeito Estufa (GEE) será demonstrada pelos técnicos da Jica para autoridades e técnicos do governo do Pará. O estudo está no âmbito do projeto BRT (sigla em inglês de Bus Rapid Transit - Trânsito Rápido de Ônibus) da Região Metropolitana de Belém, como um projeto CDM (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), e que será desenvolvido no período de março a agosto deste ano na RMB.

Pioneirismo - O projeto BRT poderá ser o segundo do planeta. A única experiência para obtenção de crédito de carbono em projeto de transporte Urbano é o Transmilênio, implantado em Bogotá (Colômbia).

O governo japonês, por meio da Jica, já se mostrou disposto a realizar investimentos que viabilizem o projeto BRT, beneficiando toda a Região Metropolitana de Belém.

A diferença entre os volumes de emissão nas duas situações é a quantidade esperada de redução no lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera, o que permitirá verificar se a diminuição prevista será suficiente para enquadrar o BRT como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo. O CDM também é interessante para países não desenvolvidos, que recebem investimentos e tecnologia em projetos que ajudarão no desenvolvimento sustentável local.

Transporte - A modernização dos transportes urbanos na RMB, sob a coordenação do projeto Ação Metrópole, é uma das possibilidades para iniciativas classificadas como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pois pode aumentar a eficiência no consumo de combustíveis e reduzir o lançamento de GEE.

O projeto BRT para a Região Metropolitana de Belém tem potencial para ser enquadrado como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, pelas seguintes razões:

a) Renovação da frota: ônibus novos, bem mais eficientes no consumo de combustíveis, substituirão parte da frota atual;

b) Aumento da capacidade de transporte dos veículos: a previsão é que os novos ônibus transportem 160 passageiros, enquanto os comuns carregam 90 passageiros, em média. Serão mais passageiros sendo transportados por viagem;

c) Melhoria das condições de tráfego: os ônibus BRT circularão em faixas exclusivas ou preferenciais, sem concorrência com os demais veículos. Terão, assim, velocidade maior e mais constante, reduzindo o consumo de combustível;

d) Melhor gerenciamento da frota, que passará a ser centralizado, permitindo melhor adequação entre a oferta de veículos e a necessidade de deslocamento da população. Isso reduzirá o número de veículos que circulam com muitos lugares vazios, número elevado na situação atual, reduzindo o desperdício de combustível;

e) Mudança do local de pagamento da tarifa, que passará a ser feito fora do ônibus, diminuindo o tempo de parada dos veículos e, portanto, o consumo de combustível.

Kyoto - Segundo a coordenação do projeto Ação Metrópole, o Protocolo de Kyoto (ratificado em 1999 e em vigor desde 2005) determinou que países desenvolvidos signatários reduzissem suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre 2008 e 2012 (primeiro período de compromisso).

Para não comprometer a economia dos países e possibilitar alternativas mais baratas nesse sentido, o Protocolo estabelece que parte dessa redução pode ser feita com financiamento de projetos executados nos países não desenvolvidos, signatários do Protocolo.

Tais países, dentre os quais o Brasil, não têm metas obrigatórias de redução de emissão, mas se comprometeram a participar dos esforços mundiais para diminuir o lançamento de GEE na atmosfera.

Edson Gillet - Sepe (com informações do Ação Metrópole)


 

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